A BOCA,O ESPELHO DO CORAÇÃO
A BOCA, O ESPELHO DO CORAÇÃO
O que as nossas palavras revelam sobre quem realmente somos?
“Raça de víboras! Como podeis falar coisas boas, sendo maus? Pois a boca fala do que está cheio o coração.” Mt 12:34
Vivemos em um tempo em que as palavras são pronunciadas com enorme facilidade. Conversamos pessoalmente, enviamos mensagens instantâneas, publicamos opiniões nas redes sociais e participamos de debates sobre os mais variados assuntos. Nunca foi tão fácil falar. Contudo, também nunca foi tão evidente o poder que as palavras têm para edificar ou destruir.
Muitas pessoas procuram apenas controlar o que dizem. Esforçam-se para parecer educadas, pacientes e equilibradas. Entretanto, Jesus revela que o verdadeiro desafio não é vigiar apenas a língua, mas permitir que Deus transforme o interior. A boca apenas manifesta aquilo que o coração já produziu.
O contexto dessa declaração torna o ensino ainda mais impactante. Após libertar um homem possesso, cego e mudo, Jesus foi acusado pelos fariseus de realizar aquele milagre pelo poder de Satanás, Mateus 12:22-24. Embora fossem religiosos respeitados, conhecedores da Lei e praticantes das tradições, suas palavras revelavam um coração dominado pela inveja, pelo orgulho e pela incredulidade.
Eles não falaram daquela forma por um simples deslize, suas palavras apenas revelaram o estado espiritual em que já viviam. O mesmo acontece conosco.
Quando alguém explode em ira, vive reclamando, criticando ou espalhando pessimismo, geralmente essas palavras apenas tornam visível aquilo que já ocupava seu interior. As palavras funcionam como um espelho da alma.
Diante disso, muitos procuram resolver esse problema apenas aprendendo técnicas de comunicação, falam menos, respiram fundo ou contam até dez antes de responder. Embora essas atitudes possam ajudar, elas não alcançam a raiz do problema.
Jesus nunca ensinou apenas o controle das palavras, Ele ensinou a transformação do coração. Assim como uma árvore saudável produz bons frutos e uma fonte limpa produz água pura, um coração renovado naturalmente produzirá palavras diferentes. As palavras são consequência, o coração é a causa.
Esse ensino também serve de alerta para todos os que vivem a fé apenas externamente. Os fariseus conheciam as Escrituras e faziam longas orações, mas suas palavras revelavam a ausência de misericórdia.
É possível conhecer profundamente a Bíblia e, ainda assim, utilizar esse conhecimento para ferir pessoas. O verdadeiro cristianismo não é reconhecido apenas pelo conteúdo das palavras, mas pelo espírito com que elas são pronunciadas.
A pergunta do cristão não deve ser apenas se “Estou falando a verdade?”, mas também, “Minhas palavras estão produzindo vida?”.
Cada palavra que pronunciamos revela nossas prioridades, nossos medos, nossa fé e nosso caráter. Por isso, antes de pedir a Deus que controle nossa língua, devemos pedir que transforme nosso coração. Somente um coração cheio da presença de Deus poderá produzir uma boca cheia de graça, sabedoria, paz e amor.
A verdadeira mudança nunca começa nos lábios; ela começa no coração e inevitavelmente alcança as palavras. Como ensinou Jesus, a boca apenas anuncia aquilo que o coração escolheu guardar.
Antes de analisar as palavras das pessoas ao seu redor, examine as suas próprias. Elas revelam o estado do seu coração. Se suas palavras têm produzido vida, é sinal de que Deus está moldando seu interior. Se, porém, têm expressado constantemente ira, amargura, crítica ou desesperança, talvez seja o momento de permitir que Cristo transforme a fonte de onde elas procedem.
ANDRÉ DAINEZI TONARQUE
Bancário, Teólogo, Professor e Colunista do Blog IBF