A NECESSIDADE DE TERAPEUTAS EM NOSSOS DIAS
A NECESSIDADE DE TERAPEUTAS EM NOSSOS DIAS
Saúde mental, sofrimento humano e a responsabilidade na formação de novos terapeutas
Vivemos em uma época marcada pela velocidade, pelo excesso de informação, pelas mudanças constantes e por relações humanas cada vez mais complexas. Nunca tivemos tanto acesso à comunicação e, paradoxalmente, tantas pessoas relatam sentimentos de solidão, angústia e dificuldade para lidar com a própria história.
Ansiedade, sintomas depressivos, traumas, luto, conflitos familiares, dificuldades conjugais, compulsões e crises existenciais fazem parte da realidade de milhões de brasileiros.
Nesse contexto, cresce a necessidade de espaços de escuta e de profissionais preparados para lidar, com responsabilidade, com o sofrimento humano.
A discussão sobre saúde mental deixou de ser apenas um assunto restrito aos consultórios. Ela passou a ocupar escolas, empresas, igrejas, famílias e diferentes espaços da sociedade.
Mas, diante dessa crescente demanda, surge uma pergunta fundamental:
“Estamos formando terapeutas preparados não apenas para atender, mas para escutar, compreender, reconhecer seus limites e encaminhar corretamente quando necessário?”
É nesse ponto que a formação se torna tão importante quanto o desejo de ajudar.
O RETRATO DA SAÚDE MENTAL NO BRASIL
Os dados brasileiros demonstram que o sofrimento psíquico é uma realidade significativa.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde PNS, realizada pelo IBGE, aproximadamente 10,2% dos brasileiros adultos receberam diagnóstico de depressão em 2019.
Isso representa cerca de 16,3 milhões de brasileiros.
GRÁFICO CRESCIMENTO DO DIAGNÓSTICO DE DEPRESSÃO
2013 ████████ 7,6%
2019 ███████████ 10,2%
Em apenas seis anos, o percentual passou de 7,6% para 10,2%.
Esse crescimento não significa apenas que mais pessoas adoeceram. Também pode refletir uma maior procura por atendimento, ampliação da discussão sobre saúde mental e aumento da identificação dos sintomas.
Ainda assim, os números revelam uma realidade importante: milhões de brasileiros convivem com algum tipo de sofrimento emocional ou psíquico.
DEPRESSÃO NAS REGIÕES DO BRASIL
Norte █████ 5,0%
Nordeste ███████ 6,9%
Brasil ██████████ 10,2%
Centro-Oeste ██████████ 10,4%
Sudeste ███████████ 11,5%
Sul ███████████████ 15,2%
Os números demonstram que o sofrimento psíquico atravessa todas as regiões, classes sociais e faixas etárias.
Por trás de cada percentual existe uma história.
Existe alguém que perdeu uma pessoa importante. Alguém que vive uma relação marcada por violência. Alguém que não consegue compreender por que repete os mesmos comportamentos. Alguém que aparenta estar bem, mas internamente enfrenta medo, angústia ou vazio.
AS DORES QUE CHEGAM AO CONSULTÓRIO
É importante compreender que nem toda pessoa procura terapia porque recebeu um diagnóstico.
Muitas chegam porque percebem que algo não está bem. Outras chegam depois de anos tentando resolver sozinhas aquilo que continua retornando.
Dentro da escuta clínica e psicanalítica, diferentes demandas podem aparecer:
• Ansiedade e angústia;
• Sintomas depressivos;
• Traumas;
• Luto;
• Conflitos familiares;
• Dificuldades conjugais;
• Compulsões e comportamentos repetitivos;
• Questões relacionadas à autoestima;
• Conflitos relacionados à identidade e à história pessoal.
A psicanálise se interessa justamente por aquilo que muitas vezes não aparece de maneira evidente.
Ela busca compreender a história do sujeito, seus vínculos, seus conflitos e os sentidos que podem estar presentes por trás dos sintomas e das repetições.
O processo psicanalítico oferece um espaço de fala e escuta, no qual o indivíduo pode começar a perceber conexões entre sua história, seus relacionamentos, suas escolhas e suas formas de lidar com o mundo.
Isso não significa que a psicanálise substitua outras áreas da saúde. Em situações que envolvem crises graves, risco à vida, necessidade de diagnóstico ou tratamento médico, é fundamental o acompanhamento e o encaminhamento para profissionais habilitados.
O cuidado responsável também sabe reconhecer seus limites.
JUVENTUDE E SOFRIMENTO PSÍQUICO: UM ALERTA
O sofrimento emocional também tem atingido crianças, adolescentes e jovens.
Segundo estudo divulgado pela Fiocruz, entre 2011 e 2022:
CRESCIMENTO MÉDIO ANUAL
Suicídio entre jovens
██████ 6% ao ano
Notificações de autolesão
█████████████████████████████ 29% ao ano
Esses dados não devem ser utilizados para gerar pânico. Devem gerar responsabilidade.
Quando uma sociedade apresenta sinais crescentes de sofrimento, não basta apenas falar sobre saúde mental. É preciso investir em prevenção, educação emocional, acesso aos serviços de saúde, redes de apoio e profissionais qualificados.
A NECESSIDADE DE PROFISSIONAIS DA ESCUTA
Vivemos em uma sociedade onde muitas pessoas falam, mas poucas sentem que realmente são ouvidas.
Existem pessoas cercadas de contatos e profundamente solitárias. Famílias que convivem diariamente, mas não conseguem conversar sobre suas dores. Profissionais que trabalham, produzem e cumprem suas responsabilidades enquanto enfrentam internamente conflitos que nunca conseguiram elaborar.
Nesse cenário, o terapeuta ocupa um lugar importante.
Mas o terapeuta não deve ser alguém que simplesmente oferece conselhos ou respostas prontas. Seu papel exige preparação.
Escutar alguém significa entrar em contato com histórias complexas, experiências traumáticas, conflitos familiares, perdas e diferentes formas de sofrimento.
Boa vontade é importante, mas não substitui formação.
O TRIPÉ PSICANALÍTICO: A BASE DE UMA FORMAÇÃO RESPONSÁVEL
A formação psicanalítica tradicionalmente valoriza três dimensões fundamentais, conhecidas como Tripé Psicanalítico:
FORMAÇÃO TEÓRICA
ANÁLISE PESSOAL
SUPERVISÃO
1. FORMAÇÃO TEÓRICA
O futuro terapeuta precisa estudar.
A teoria oferece fundamentos para compreender o desenvolvimento da psicanálise, suas escolas, conceitos e autores.
O estudo de autores como Sigmund Freud, Melanie Klein, Carl Jung, Donald Winnicott, Wilfred Bion e outros pensadores amplia a compreensão sobre a constituição psíquica e as diferentes formas de compreender o ser humano.
Mas teoria, sozinha, não forma um terapeuta completo.
2. ANÁLISE PESSOAL
Quem pretende escutar a história de outra pessoa também precisa aprender a olhar para a própria história.
A análise pessoal permite que o futuro terapeuta entre em contato com seus conflitos, padrões, limites e formas de se relacionar.
Sem autoconhecimento, existe o risco de interpretar a história do outro exclusivamente a partir de experiências pessoais.
A análise não transforma alguém em uma pessoa perfeita, mas pode contribuir para que o terapeuta se torne mais consciente de si mesmo.
3. SUPERVISÃO
A supervisão é o espaço onde o terapeuta em formação aprende a refletir sobre sua prática.
É ali que casos e situações clínicas podem ser discutidos dentro dos princípios éticos de confidencialidade e preservação da identidade dos atendidos.
A supervisão contribui para desenvolver reflexão clínica, responsabilidade, consciência dos limites, capacidade de encaminhamento e amadurecimento profissional.
O tripé pode ser resumido assim:
Pilar | Objetivo
Formação Teórica | Compreender conceitos, autores e fundamentos
Análise Pessoal | Desenvolver autoconhecimento
Supervisão | Refletir e amadurecer a prática clínica
Um terapeuta não é formado apenas pelo que aprende nos livros, mas também pela capacidade de olhar para si e refletir continuamente sobre sua prática.
O PAPEL DO INSTITUTO BÍBLICO FÉ — IBF
É dentro dessa perspectiva que a formação promovida pelo Instituto Bíblico Fé — IBF ganha relevância.
Formar novos terapeutas não significa simplesmente transmitir conteúdos ou entregar um certificado. Significa participar da construção de profissionais que compreenderão a responsabilidade existente no encontro com o sofrimento humano.
A proposta de formação baseada no tripé psicanalítico busca integrar três dimensões fundamentais:
CONHECIMENTO
AUTOCONHECIMENTO
PRÁTICA SUPERVISIONADA
O estudante é convidado a compreender que a formação não termina na sala de aula.
Ela continua no estudo, no processo de análise pessoal, na supervisão, na prática e na reflexão constante.
FORMAR TERAPEUTAS PARA UMA NOVA REALIDADE
Vivemos em uma época em que é possível encontrar inúmeras formações rápidas prometendo preparar pessoas para diferentes áreas.
Mas trabalhar com o sofrimento humano exige profundidade.
A pessoa que chega a um atendimento não é apenas um caso. Ela possui uma história, vínculos, traumas, perdas, crenças, experiências, conflitos, desejos e medos.
Por isso, o processo de formação precisa ir além da simples transmissão de técnicas.
O Instituto Bíblico Fé — IBF busca contribuir para a formação de novos terapeutas por meio de uma proposta que valoriza o estudo, o desenvolvimento pessoal e a prática supervisionada.
A formação responsável também ensina algo fundamental: nem todo problema pode ser resolvido pelo terapeuta, e reconhecer os próprios limites também é uma forma de cuidado.
Saber encaminhar para um médico, psiquiatra, psicólogo ou outro profissional habilitado, quando necessário, faz parte de uma atuação ética.
POR QUE A FORMAÇÃO É TÃO IMPORTANTE?
CRESCIMENTO DO SOFRIMENTO
↓
MAIOR PROCURA POR AJUDA
↓
NECESSIDADE DE TERAPEUTAS
↓
NECESSIDADE DE BOA FORMAÇÃO
↓
FORMAÇÃO + ANÁLISE + SUPERVISÃO
↓
PRÁTICA MAIS RESPONSÁVEL
O crescimento da procura por ajuda não deve produzir apenas a necessidade de mais terapeutas.
Deve produzir a preocupação com melhores terapeutas.
Profissionais que estudem, continuem aprendendo, reconheçam seus limites, saibam trabalhar em conjunto com outras áreas e compreendam a responsabilidade de escutar uma história humana.
UMA NECESSIDADE DO NOSSO TEMPO
O Brasil enfrenta desafios importantes relacionados à saúde mental.
Os dados mostram milhões de pessoas com diagnóstico de depressão e estudos apontam preocupações crescentes relacionadas ao sofrimento entre jovens.
Diante disso, a sociedade precisa ampliar seus espaços de cuidado.
Precisamos de famílias mais abertas ao diálogo. Precisamos de escolas que valorizem a saúde emocional. Precisamos de políticas públicas. Precisamos de profissionais habilitados em diferentes áreas da saúde.
E precisamos também de pessoas preparadas para desenvolver uma escuta responsável e consciente, dentro dos limites e princípios éticos de sua formação e atuação.
É nesse cenário que instituições comprometidas com uma formação séria podem contribuir significativamente.
CONCLUSÃO
A necessidade de terapeutas em nossos dias é consequência de uma realidade que não pode mais ser ignorada.
O sofrimento humano existe. Ele aparece nos consultórios, nas famílias, nas escolas, nas empresas, nas igrejas e nas relações.
Mas a resposta para essa realidade não deve ser simplesmente formar profissionais rapidamente.
A resposta precisa incluir formação, responsabilidade, autoconhecimento e supervisão.
O compromisso com o tripé psicanalítico formação teórica, análise pessoal e supervisão representa uma compreensão mais profunda sobre o que significa preparar alguém para escutar o outro.
O Instituto Bíblico Fé — IBF, ao valorizar esses pilares na formação de novos terapeutas, busca contribuir para uma nova geração de profissionais conscientes de que trabalhar com o sofrimento humano exige muito mais do que conhecimento.
Exige maturidade.
Exige ética.
Exige responsabilidade.
E, acima de tudo, exige respeito pela história de cada pessoa.
“Formar um terapeuta não é apenas ensinar alguém a atender.
É preparar alguém para estar diante da história de outro ser humano com conhecimento, consciência, responsabilidade e humanidade.”
FONTES DOS DADOS APRESENTADOS
• IBGE — Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).
• IBGE — Pesquisa Nacional de Saúde 2019.
• Fiocruz/Cidacs — estudo sobre suicídio e autolesões entre jovens.
• Ministério da Saúde — dados e relatórios sobre doenças crônicas não transmissíveis e saúde mental.
Colunista:Bruno Vicentin