A Percepção de Si no Redemoinho da Existência e a Descoberta do Amor de Cura

24 de July, 2026 Angélica de Souza Pereira
A Percepção de Si no Redemoinho da Existência e a Descoberta do Amor de Cura

A Percepção de Si no Redemoinho da Existência e a Descoberta do Amor de Cura

Querido leitor,

Aqui estou novamente a compartilhar com vocês fragmentos do meu dia a dia: meus afetos, alegrias, gostos e desprazeres…

Dessa vez, escolhi partilhar uma linda poesia da qual tenho a honra de ser a musa inspiradora sim, meu marido é o autor deste gesto em forma de palavras. Ao mergulhar nos versos dele, fui levada a refletir sobre como nos percebemos no meio ao turbilhão da vida e como, por vezes, é preciso se perder para finalmente se encontrar.

Ele escreveu:

Me acudam

Sim, por favor me acudam

Porque já não penso com razão

E as razões

Já não importam mais

Porque estou como

Perdido em alto mar

E tampouco quero voltar

Quem pode me ajudar?

Se passei por um portal

Por onde vão os sonhos

Que não querem acordar

Como poderia saber

Que não poderia voltar

Ah! Que breve a vida

E que belo o amor

Se me perco agora

É com a razão

Que ela mesma

Desconhece"

E, ao olhar para essa batalha interna que todos enfrentamos, a poesia continua em seu poema intitulado Golpe:

Como um lutador

Desfiro golpes no ar

Como se abatesse fortalezas

E torres feitas de pedra

O fogo que me assola

Amontoa suas cinzas sobre mim

Um batalhão que marcha

Num compasso de batalha

Me conduz a um abismo

Que devora todo sonho e toda alma

Numa queda sem fim

Mas o amor

Empunha uma espada

E cada golpe tudo pode

No exercício das dores

Alcanço os altos da glória"

A Razão Desconhecida e o Despertar do Eu

Na psicanálise, aprendemos que o sujeito não é senhor nem em sua própria casa. Quantas vezes nos vemos desferindo "golpes no ar", lutando contra moinhos de vento ou nos sentindo à deriva em alto mar, tentando controlar com o intelecto aquilo que pertence unicamente ao campo dos afetos? O redemoinho da existência frequentemente nos convoca a desarmar nossas defesas rígidas  essas fortalezas e torres de pedra que construímos para nos proteger. No entanto, quando a razão se dobra e reconhece que "ela mesma desconhece" a profundidade daquilo que sentimos, algo mágico acontece: a oportunidade de uma verdadeira percepção de si mesmo. É no limiar do desamparo, quando ultrapassamos o portal do que é previsível, que nos abrimos para o inconsciente e para a capacidade de transformação.

O Amor de Cura

Lutar contra as próprias dores sem um propósito pode nos conduzir ao esgotamento, mas a poesia nos lembra de uma virada fundamental: o amor que empunha a espada. O amor não anula as dores da existência ele não apaga os abismos nem dissipa magicamente o fogo , mas oferece um novo sentido para a batalha. Ele nos dá sustentação para atravessar o exercício das dores e alcançar um lugar de integração e serenidade. O amor de cura é aquele que nos aceita vulneráveis, que acolhe a nossa desrazão e que nos permite renunciar ao desejo de controle para simplesmente ser. Quando nos permitimos afundar e renascer dentro de um laço afetuoso e seguro, descobrimos que perder-se também pode ser a forma mais bonita de se achar. Que possamos, no dia a dia, ter a coragem de atravessar nossos portais, reconhecer nossas limitações com gentileza e nos deixar abraçar pela força restauradora do amor. 

Com carinho, Elaine Martins Ceotto Esposa que ama.


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