ANTES DE SAIR EM BUSCA DE VINGANÇA,CAVE DUAS COVAS
ANTES DE SAIR EM BUSCA DE VINGANÇA, CAVE DUAS COVAS
Existe um antigo provérbio que diz: “Antes de sair em busca de vingança, cave duas covas.” Embora essa frase não esteja na Bíblia, ela expressa uma verdade que encontra eco nas Escrituras. O salmista Davi declara que o homem perverso cava um poço para prejudicar o próximo, mas acaba caindo nele. A maldade que ele planejou retorna contra ele mesmo.
“Todo aquele que gera maldade concebe o sofrimento e dá a luz a desilusão. Quem cava um buraco como armadilha cai em fossa profunda, que ele mesmo fez. Assim, sua maldade se voltará contra ele e sobre a própria cabeça cairá sua violência.” Sl 7:14-16
A vingança parece, à primeira vista, uma resposta justa para quem sofreu uma ofensa. Quando somos feridos, traídos ou injustiçados, nosso coração frequentemente deseja retribuir na mesma medida. Pensamos que somente quando o outro sofrer aquilo que sofremos encontraremos paz. Porém, a Palavra de Deus nos mostra que a vingança produz mais destruição do que restauração.
O Salmo 7 retrata o pecador como alguém que concebe o mal, trabalha para realizá-lo e prepara armadilhas para os outros. Entretanto, o resultado final é surpreendente, ele próprio se torna vítima de suas intenções. O poço que cavou para o próximo transforma-se em sua própria prisão. Essa é uma demonstração da justiça divina. Deus vê aquilo que os homens não veem, conhece as intenções escondidas do coração e, no tempo certo, faz com que cada um colha aquilo que semeou.
Quando escolhemos a vingança, estamos, de certa forma, cavando uma cova para outra pessoa. O problema é que essa decisão também cava uma cova para nós mesmos. O ressentimento rouba nossa paz, o ódio corrói nossa alma e o desejo de retribuição nos afasta da comunhão com Deus. Enquanto acreditamos estar ferindo alguém, muitas vezes somos nós que estamos sendo consumidos por dentro.
A justiça de Deus é diferente da vingança humana. A vingança nasce da ira e do orgulho, a justiça divina nasce da verdade e da santidade. Por isso, Deus nunca nos chamou para sermos juízes das pessoas, mas para confiarmos que Ele está no controle de todas as coisas. Quando entregamos nossa causa ao Senhor, deixamos de carregar um peso que nunca fomos capazes de suportar.
Davi conhecia bem essa realidade. Perseguido, caluniado e ameaçado diversas vezes, ele teve oportunidades de se vingar de seus inimigos. Contudo, escolheu confiar em Deus. Sua confiança não estava na própria força, mas na certeza de que o Senhor faria justiça no momento oportuno.
Talvez hoje exista alguém que tenha ferido você profundamente. Talvez a vontade de revidar pareça legítima e até merecida. Mas o Salmo 7 nos convida a olhar além do momento presente. Ele nos lembra que a maldade nunca tem a última palavra e que Deus continua governando com justiça.
Antes de sair em busca de vingança, pare e reflita. Não desperdice sua vida cavando covas. Em vez disso, entregue suas dores ao Senhor, confie em Sua justiça e permita que Ele cure seu coração. Aquele que cava armadilhas para os outros pode acabar preso nelas, mas aquele que confia em Deus encontra libertação, paz e descanso para a alma.
Que possamos aprender a trocar a vingança pela confiança, o ódio pelo perdão e a ansiedade pela certeza de que Deus continua sendo o justo Juiz de toda a terra. Afinal, quem entrega sua causa ao Senhor não precisa cavar covas, basta permanecer firme na fé, sabendo que a justiça divina jamais falha.
ANDRÉ DAINEZI TONARQUE
Bancário, Teólogo, Professor e Colunista do Blog IBF