DIPLOMACIA CRISTÃ EM TEMPOS MODERNOS
A diplomacia deve fazer parte do nosso cotidiano, pois é ela quem constrói pontes ou muralhas entre pessoas, instituições ou nações.
Diplomata, embaixador e negociador convergem para uma mesma essência em suas atuações, todos trabalham para construir pontes por meio do diálogo, objetivando acordos. Seja representando seu país como diplomata ou embaixador, ou conduzindo conversas como negociador, utilizam a comunicação, o respeito e a inteligência para a resolução de conflitos e a aproximação de interesses.
Mas qual o significado de cada uma desses termos? E como eles se aplicam ao nosso cotidiano?
Diplomata:
É quem representa um país e trabalha para manter relações equilibradas e pacíficas. No dia a dia, pode ser alguém que sabe lidar bem com situações delicadas.
Embaixador:
É a pessoa que representa um governo em outro país. Atua em uma embaixada, cuidando de acordos, negociações e da comunicação entre governos.
Negociador:
Refere-se à pessoa que participa de negociações, buscando chegar a um acordo entre duas ou mais partes. Procura equilibrar interesses para resolver conflitos ou firmar acordos, sejam eles internacionais, profissionais, familiares ou conjugais.
Diplomacia:
É a prática de conduzir relações entre países, grupos ou pessoas de forma estratégica, cuidadosa e respeitosa, buscando evitar conflitos e alcançar acordos.
Vivemos tempos em que a ênfase sobre o assunto diplomacia e negociação tem ganhado destaque, principalmente no que tange a tópicos envolvendo embargos financeiros, taxações e guerras, assuntos que demonstram a construção de muralhas em vez de pontes.
Infelizmente, grande parte da população só se lembra desses termos em contextos amplos, governamentais ou internacionais. Esquecem que cada atitude nossa é capaz de construir uma ligação ou uma barreira.
Entretanto, o desígnio cristão permanece inalterado, somos chamados a construir pontes, trazendo reconciliação e entendimento entre pessoas e até nações, derrubando e desfazendo barreiras.
A bíblia refere-se a nós como embaixadores de cristo 2Co 5:20, afirma que não somos deste mundo Jo 17:14-16 mas estamos inseridos nele Fp 3:20. Portanto, devemos dar o bom exemplo, sendo respeitosos e amáveis, mas também firmes em nossas convicções e princípios, com equilíbrio e sabedoria aplicada.
Em nenhum momento a bíblia incentiva o desrespeito às leis e regras seculares Rm 13:1, mas traz alertas sobre aquelas que vão contra os ensinamentos bíblicos. Nesses casos, devemos ser firmes e nos posicionar de forma resiliente, sem nos contaminar ou abrir mão de nossos princípios cristãos.
Todo cristão deve ter sabedoria e discernimento para lidar com pessoas e situações, construindo vínculos ao seu derredor, promovendo respeito e amizade. Ter visões diferente não deve ser motivo para criar barreiras ao entendimento mútuo. O cristão não deve impor seus princípios, mas explicar os motivos pelos quais os vive e convidar aos interessados a experimentar esse modo de vida.
Quero trazer alguns exemplos de diplomacia narrados na Bíblia. Em 1Rs 10:1-10 vemos um intercâmbio cultural, diplomático, religioso e financeiro entre o rei Salomão e a rainha de Sabá, mostrando que cortesia, hospitalidade e amabilidade constroem pontes quando usadas com sabedoria.
Por outro lado, em 1Rs 11:1-11, vemos o mesmo rei Salomão estreitando laços com diversas nações estrangeiras, sem se manter íntegro aos princípios e ensinamentos de Deus, cedendo aos costumes dessas nações, o que lhe custou o reino. O problema não está em criar laços, sejam de amizade ou profissionais, mas na falta de limites e nas concessões indevidas.
Quando abrimos exceções em nossos princípios, abrimos mão de nossa identidade e essência, tornando uma ponte forte em algo frágil ou até mesmo em uma futura barreira. Isso frequentemente resulta em conflitos ou perdas irreparáveis.
Outro exemplo vem do exilio do povo Israelita na Babilônia, com os jovens Daniel, Sadraque, Mezaque e Abede-nego. Em Dn 1:1-21, vemos que o diálogo é uma excelente forma de resolver problemas e construir um futuro, mesmo em uma terra distante. Eles permaneceram fiéis aos seus princípios, apesar das diferenças culturais, religiosas e alimentares, mostrando que a divergência pode gerar aprendizado e convivência mútua.
Todavia, há momentos que nossos princípios são colocados à prova. Mesmo que isso traga desconforto, devemos permanecer firmes.
Em Dn 3:1-30, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego demonstram respeito ao rei Nabucodonosor, mas não se curvam ao decreto imposto. Em Dn 6:1-28, Daniel também mostra que existem limites que o cristão não deve ultrapassar.
Nesses casos, a diplomacia cristã manifesta-se não na concessão, mas na firmeza acompanhada de respeito.
Não se trata de incentivar o extremismo, mas de agir com respeito, clareza e embasamento em seus princípios, estabelecendo limites que não devem ser ultrapassados, mesmo diante de desafios. Sempre há espaço para o diálogo e a construção de respeito mútuo.
Construir pontes não implica em ceder princípios, manter convicções não significa levantar muralhas de intolerância. O cristão bem alicerçado age com equilíbrio e sabiamente.
Vivemos em um país onde o Estado é laico, permitindo que todos expressem suas crenças sem serem ofensivos, grosseiros ou causarem conflitos. O cristão, como embaixador de Cristo, tem à sua disposição o maior manual para a construção de pontes, a Bíblia e sua sabedoria, e a melhor argamassa, o Espírito Santo e seu discernimento.
Portanto, fica a reflexão:
Que tipo de estrutura você tem edificado? Pontes que aproximam ou muralhas que separam?
Acima de tudo, mantenha seus princípios e limites, não abra mão deles para construção de pontes frágeis.
ANDRÉ DAINEZI TONARQUE
Bancário, Teólogo, Professor e Colunista Blog IBF