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ENTRE O PARAÍSO SONHADO E A REALIDADE DA VIDA: UMA ESCUTA ANALÍTICA E DE FÉ SOBRE PARADISE

21 de September, 2026 Angélica de Souza Pereira
ENTRE O PARAÍSO SONHADO E A REALIDADE DA VIDA: UMA ESCUTA ANALÍTICA E DE FÉ SOBRE PARADISE

Entre o Paraíso Sonhado e a Realidade da Vida: Uma Escuta Analítica e de Fé sobre Paradise

Olá, meus queridos!

Aqui estamos nós para construir pontes e reflexões entre a arte, a psicanálise e a nossa caminhada de fé.

Ouvindo Coldplay  uma banda que aprecio profundamente , parei de maneira inédita diante de uma canção tão conhecida: Paradise. Resolvi escutá-la despida da distração do dia a dia, afinando os ouvidos para aquilo que transcende a melodia. O resultado foi um transporte imediato para o setting analítico, onde a dor humana pede palavra e sentido.

A letra nos apresenta a trajetória de alguém que, quando menina, "esperava o mundo", mas o mundo acabou fugindo do seu alcance. Quando as exigências e os desertos da vida adulta se tornam pesados demais, ela recorre a um mecanismo de defesa muito conhecido: fecha os olhos e deixa a garotinha sonhadora assumir o leme, buscando alívio no sono e na fantasia de um "paraíso ideal".

Na psicanálise, compreendemos esse movimento como uma regressão defensiva. Quando a realidade se torna insuportavelmente árida, o ego cria um refúgio interno para não sucumbir à angústia. O sonho acalma temporariamente e funciona como um analgésico psíquico.

Contudo, tanto a clínica quanto as Escrituras nos lembram de uma verdade fundamental: alívio temporário não é elaboração, e fantasia não é esperança.

Viver fechando os olhos para a realidade nos mantém presos à dor da perda. O próprio apóstolo Paulo nos traz uma chave preciosa sobre o amadurecimento ao escrever: "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino" (1 Coríntios 13:11).

A maturidade humana e espiritual não consiste em negar o peso do mundo através da alienação, nem em buscar refúgio em um paraíso nostálgico e imaginado. Consiste, sim, em ter a coragem de abrir os olhos no meio da adversidade.

Enquanto a regressão nos faz fechar os olhos para fugir do deserto, a fé genuína e a elaboração psíquica nos capacitam a mantê-los abertos, sabendo onde repousa a nossa real sustentação: "Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra" (Salmo 121:1-2).

O trabalho analítico nos ajuda a retirar o véu da fantasia e a nomear as feridas; a graça nos dá a força para atravessar o mundo real com todas as suas faltas, sem perder a esperança viva que ancora a nossa história.

Elaine Martins Ceotto

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