MORDOMIA CRISTÃ-ADMINISTRANDO COM FIDELIDADE AQUILO QUE DEUS NOS CONFIOU
MORDOMIA CRISTÃ – ADMINISTRANDO COM FIDELIDADE AQUILO QUE DEUS NOS CONFIOU
Quando falamos sobre mordomia cristã, precisamos entender que mordomo não é dono. O mordomo é aquele que recebe algo para cuidar, administrar e fazer prosperar. Desde o princípio, Deus deixou esse princípio estabelecido quando colocou Adão no Jardim do Éden para “cultivar e guardar” Gênesis 2:15. Portanto, tudo aquilo que Deus coloca em nossas mãos deve ser cuidado com responsabilidade, zelo e temor.
A mordomia cristã não está relacionada somente ao dinheiro. Ela envolve nosso tempo, nossos dons, talentos, família, trabalho, recursos, oportunidades e, principalmente, a própria vida que Deus nos concedeu. A pergunta não deveria ser apenas “O que eu tenho?”, mas “Como estou administrando aquilo que Deus colocou em minhas mãos?”.
Um dos grandes exemplos de mordomia no Antigo Testamento é José. Mesmo sendo vendido pelos próprios irmãos e levado para o Egito, José não permitiu que as circunstâncias determinassem sua maneira de servir. Na casa de Potifar, tudo o que estava sob sua responsabilidade prosperava, porque ele administrava com fidelidade Gênesis 39:2-6. Mais tarde, mesmo injustamente preso, recebeu responsabilidades e novamente demonstrou competência e fidelidade Gênesis 39:21-23.
Quando Deus colocou José diante de Faraó, sua capacidade de administrar foi usada para preservar uma nação inteira. José não recebeu apenas autoridade, recebeu uma responsabilidade. Durante os anos de fartura, soube guardar e administrar os recursos para enfrentar os anos de fome Gênesis 41:33-36. José nos ensina que mordomia é saber administrar bem tanto a abundância quanto a escassez. Ele não desperdiçou aquilo que Deus colocou sob sua responsabilidade.
Outro exemplo é Daniel. Mesmo vivendo em uma terra estrangeira, Daniel permaneceu fiel a Deus e demonstrou excelência naquilo que fazia. Seus inimigos procuraram encontrar alguma falha em sua administração, mas não encontraram, pois ele era fiel, honesto e responsável Daniel 6:4. Daniel mostra que a verdadeira mordomia também aparece no caráter. Não basta administrar bem recursos, é necessário administrar corretamente a própria vida diante de Deus.
Podemos também olhar para Davi, que compreendeu que aquilo que possuía vinha do Senhor. Ao preparar recursos para a construção do templo, declarou: “Tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos” 1 Crônicas 29:14. Essa declaração revela o coração de um verdadeiro mordomo: Reconhecer que Deus é o dono e nós somos apenas administradores.
No Novo Testamento, encontramos também grandes exemplos. Barnabé, por exemplo, demonstrou uma mordomia marcada pela generosidade. Ele vendeu um campo e entregou o valor aos apóstolos para atender às necessidades da igreja Atos 4:36-37. Barnabé entendeu que aquilo que possuía poderia ser utilizado para servir ao propósito de Deus e abençoar outras pessoas.
Outro exemplo é Dorcas. A Bíblia diz que ela era conhecida por suas boas obras e por ajudar os necessitados Atos 9:36. Sua vida mostra que mordomia não é apenas administrar dinheiro, mas utilizar habilidades, tempo e recursos para fazer o bem. Ela usou aquilo que sabia fazer para servir às pessoas.
Também encontramos Paulo, que compreendeu que havia recebido uma missão e precisava cumpri-la com fidelidade. Ele declarou: “Ai de mim se não anunciar o evangelho!” 1 Coríntios 9:16. Paulo administrou sua vida, seus dons, seu conhecimento e seu tempo para cumprir o chamado que havia recebido de Cristo.
Jesus também ensinou diretamente sobre mordomia por meio da Parábola dos Talentos Mateus 25:14-30. Cada servo recebeu uma quantidade diferente de talentos, mas todos receberam a mesma responsabilidade: Administrar aquilo que lhes havia sido confiado. O problema não estava na quantidade recebida, mas na maneira como cada um administrou.
Essa parábola nos ensina uma verdade importante: Deus não nos pedirá contas daquilo que não recebemos, mas daquilo que colocou em nossas mãos. O servo fiel não é necessariamente aquele que recebeu mais, mas aquele que foi fiel com o que recebeu.
Por isso, mordomia cristã é muito mais do que falar sobre dinheiro. É viver entendendo que nossa vida pertence a Deus. Nosso salário, nossa casa, nosso trabalho, nossa família, nossos dons, nosso tempo e nossas oportunidades são responsabilidades que recebemos do Senhor.
Paulo afirma: “Além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” 1 Coríntios 4:2. Deus procura fidelidade. José foi fiel no Egito; Daniel foi fiel na Babilônia; Davi reconheceu que tudo vinha de Deus, Barnabé foi fiel na generosidade, Dorcas foi fiel em suas boas obras, Paulo foi fiel ao seu chamado.
A grande questão, portanto, não é quanto recebemos, mas O que estamos fazendo com aquilo que recebemos?.
Um dia estaremos diante de Deus e prestaremos contas de nossa mordomia. Por isso, precisamos cultivar e guardar, administrar e multiplicar, servir e frutificar. Não somos donos, somos mordomos. E o verdadeiro mordomo não vive para si mesmo, mas procura honrar o Dono de tudo.
Se Deus examinasse hoje a maneira como você tem administrado aquilo que Ele colocou em suas mãos, Ele encontraria fidelidade?
ANDRÉ DAINEZI TONARQUE
Bancário, Teólogo, Professor e Colunista do Blog IBF