O VALOR DA VIDA -SALMO 139 PARTE 3
O valor da Vida -Salmo 139 Parte 3
“Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue. Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.”
Salmos 139:19-20
que Davi quer dizer com “Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio”?
Essa expressão pode causar estranhamento, principalmente quando lida isoladamente.
Davi não está dizendo que o ser humano deve matar aqueles que considera ímpios. O texto não constitui uma autorização para violência, vingança pessoal ou eliminação daqueles que pensam ou vivem de maneira diferente.
A frase deve ser compreendida dentro da perspectiva bíblica do juízo de Deus.
Quando Davi afirma:
“Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio”,
ele está reconhecendo que existe uma diferença fundamental entre o juízo pertencente a Deus e a vingança que o ser humano deseja realizar por conta própria.
Na linguagem dos Salmos, a morte do ímpio aparece algumas vezes como expressão do juízo divino sobre aqueles que persistem na maldade e se colocam contra Deus.
Portanto, a ideia central não é:
“Eu devo eliminar quem considero mau.”
Mas:
“Deus é o justo juiz; o julgamento final não pertence a mim.”
Essa distinção é extremamente importante.
Mas o que a Bíblia quer dizer quando fala sobre a “morte do ímpio”?
A Bíblia utiliza diferentes perspectivas para falar da morte do ímpio.
Em alguns textos, a morte aparece como consequência do caminho de pecado. Em outros, aparece relacionada ao juízo de Deus. E, em vários momentos das Escrituras, encontramos também o convite ao arrependimento.
Por isso, não podemos construir uma teologia bíblica da morte do ímpio apenas a partir de Salmos 139:19.
Há uma verdade muito importante em toda a Escritura: Deus não é apresentado simplesmente como alguém que deseja a destruição do ser humano, mas como aquele que chama o pecador ao arrependimento.
O profeta Ezequiel registra:
“Acaso tenho eu prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo eu, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?”
(Ezequiel 18:23)
Aqui encontramos uma chave fundamental para compreender o assunto.
O juízo de Deus existe, mas a mensagem bíblica também apresenta o chamado à conversão, arrependimento e vida.
E o que isso tem a ver com o Setembro Amarelo?
Tem muito a ver.
O Setembro Amarelo é um período de conscientização sobre a prevenção do suicídio e de valorização da vida.
Por isso, quando lemos:
“Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio”,
precisamos ter muito cuidado para não utilizar esse versículo de maneira irresponsável, especialmente diante de pessoas que estão enfrentando sofrimento emocional, desesperança ou pensamentos relacionados à própria morte.
O texto não ensina uma pessoa a desejar a morte de outra.
Muito menos deve ser utilizado para dizer a alguém em sofrimento que sua morte seria uma forma de juízo divino.
Essa interpretação seria uma aplicação inadequada do texto.
O Salmo 139, na verdade, oferece uma mensagem profundamente relacionada à dignidade e ao valor da vida humana.
Poucos versículos antes, Davi declara:
“Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe.”
(Salmo 139:13)
E continua:
“Eu te louvarei, porque de um modo assombroso e maravilhoso fui formado.”
(Salmo 139:14)
Perceba a sequência.
O mesmo salmo que fala sobre o juízo contra o ímpio também afirma que a vida humana é conhecida, formada e acompanhada por Deus desde o ventre.
Setembro Amarelo: uma oportunidade para escolher a vida
Salmo 139 nos lembra que cada vida possui uma história conhecida por Deus.
A pessoa que sofre não deve ser reduzida ao seu momento de crise.
Uma crise não é necessariamente o capítulo final de uma história.
Por isso, Setembro Amarelo pode ser uma oportunidade para igrejas, famílias, profissionais e comunidades desenvolverem uma cultura de escuta e cuidado.
Podemos aprender a perguntar:
“Como você realmente está?”
E, principalmente, podemos aprender a permanecer quando a resposta for difícil.
A vida importa. A dor precisa ser ouvida. E pedir ajuda também é um ato de coragem.
Continuamos semana que vem....
Colunista: Bruno Vicentin