ONEOMANIA — Quando o consumo tenta preencher o vazio da alma

27 de May, 2026 BRUNO GUSTAVO VICENTIN
ONEOMANIA — Quando o consumo tenta preencher o vazio da alma

Vivemos em um tempo de excessos em praticamente todas as áreas.

Nunca tivemos tantas opções, vitrines, promoções, tendências e tanta facilidade para consumir produtos de todos os tipos. Hoje, tudo está a um clique de distância.

Mas, ao mesmo tempo, nunca vimos tantas pessoas emocionalmente cansadas, ansiosas, vazias e desconectadas de si mesmas.

A sociedade moderna ensinou que consumir é sinônimo de felicidade. Porém, existem dores que nenhuma compra consegue curar.

E nesse contexto, uma doença silenciosa tem crescido cada vez mais, principalmente em pessoas que carregam vazios emocionais profundos.

Essa doença é a ONEOMANIA — o transtorno do consumo compulsivo.

A compulsão por consumir faz com que a pessoa compre não por necessidade, mas pelo prazer momentâneo que o ato proporciona.

E isso não está ligado apenas à falta de planejamento financeiro ou de acesso à informação.

A oneomania atinge pessoas de todas as classes sociais, com muito ou pouco dinheiro, independentemente da formação, intelectualidade ou condição financeira.

Muitas pessoas passam a comprar compulsivamente, escondem sacolas, acumulam objetos sem necessidade e sofrem silenciosamente com as consequências emocionais e financeiras desse comportamento.

Essa doença vai muito além do simples gosto por consumir. Ela envolve um comportamento emocional impulsivo, no qual a pessoa busca, através da compra, uma sensação momentânea de prazer, controle, pertencimento, aceitação ou validação.

Assim como outros vícios comportamentais, o consumo compulsivo ativa mecanismos de prazer e recompensa no cérebro, gerando sensações temporárias de alívio, euforia e felicidade.

Mas esse efeito dura pouco, pois logo depois, costumam surgir:
culpa, arrependimento, ansiedade, frustração, sensação de vazio e endividamento emocional e financeiro.

Os impactos do consumo compulsivo podem afetar profundamente: a saúde emocional; os relacionamentos; a vida financeira; a autoestima; a produtividade e o equilíbrio mental.

Além das dívidas, muitas pessoas vivem emocionalmente cansadas, frustradas, escondendo compras, acumulando objetos sem necessidade e presas em ciclos constantes de culpa e impulsividade.

E quanto maior o vazio interno, maior tende a ser a tentativa de preenchê-lo externamente.

Muitas vezes, a identidade passa a ser construída em cima da aparência, das marcas, do status ou da necessidade constante de ter algo novo.

Mas quando o valor de uma pessoa depende daquilo que ela possui, ela nunca se sente suficiente.

A mente moderna vive cansada porque foi treinada para nunca descansar no que já possui. E isso gera descontentamento constante.

Mas existe tratamento?

Sim. A oneomania precisa ser compreendida com seriedade, acolhimento e responsabilidade.

O tratamento pode envolver:

§  psicoterapia;

§  acompanhamento psicológico ou psiquiátrico;

§  educação financeira;

§  desenvolvimento da inteligência emocional;

§  identificação de gatilhos emocionais;

§  mudança de hábitos e padrões de consumo.

Reconhecer a necessidade de ajuda não é fraqueza. É maturidade.

A cura começa quando entendemos o que realmente estamos tentando preencher

Muitas vezes, o problema não está no produto, mas na dor por trás da compra.

Existem vazios emocionais que nenhuma vitrine consegue preencher.

Porque paz, pertencimento, identidade e amor não podem ser comprados.

A verdadeira restauração começa quando aprendemos a tratar a raiz das emoções, e não apenas anestesiar os sintomas através do consumo.

E talvez uma das maiores libertações seja descobrir que o nosso valor nunca esteve nas coisas que possuímos, mas naquilo que somos diante de Deus.

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Carmem C. R. Cassoni

Esposa, Mãe, Prof.a do Prospere, Fé e Finanças e

Colunista do Blog IBF

Membro da Freedom Church

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