Precisamos de amigos como Eliú
Precisamos de amigos como Eliú
Amigos que nos ajudam a enxergar Deus além da dor
Estimado leitor, ao refletir sobre o livro de Jó, fui profundamente impactada pela importância de uma amizade verdadeira nos momentos de dor. Como sabemos, Jó perdeu seus bens, seus filhos e teve sua saúde severamente atingida. Em meio a tanto sofrimento, até mesmo sua esposa não conseguiu lhe oferecer uma palavra de sabedoria. Tudo de que ele precisava era de alguém que o acolhesse e lhe trouxesse direção.
O sofrimento de Jó, porém, não foi marcado apenas pelas perdas, mas também pelas palavras que ouviu.
Jó dialogou com quatro amigos: Elifaz, Bildade, Zofar e Eliú. Os três primeiros chegaram com a intenção de consolá-lo, mas, aos poucos, o acolhimento deu lugar à acusação. Julgaram sua dor, atribuíram seu sofrimento a pecados ocultos e, em vez de aliviar seu fardo, acrescentaram ainda mais peso ao que ele já carregava.
Eliú, porém, embora fosse o mais jovem entre eles, nos ensina uma postura diferente. Antes de falar, ele ouviu. Esperou o momento certo e direcionou o olhar de Jó não apenas para sua dor, mas para a soberania de Deus. Embora também o corrigisse, suas palavras buscavam conduzir seu coração novamente à confiança no Senhor, preparando-o para o momento em que o próprio Deus falaria.
Na vida, também encontraremos pessoas semelhantes aos três amigos de Jó: rápidas para julgar, prontas para atribuir culpa e lentas para compreender a profundidade da dor do outro. Muitas vezes, oferecem respostas simples para sofrimentos que exigem sensibilidade, silêncio e compaixão.
Mas Deus, em Sua infinita graça, também coloca Eliús em nosso caminho: pessoas que sabem ouvir, aconselhar com sabedoria e fortalecer nossa fé quando tudo parece sem resposta.
Essa reflexão, porém, vai além de encontrar um amigo como Eliú. Ela nos convida a fazer uma pergunta inevitável: Que tipo de amigo temos sido? Nossas palavras aliviam ou aumentam a dor? Apontam para a esperança ou reforçam a culpa? Conduzem as pessoas para mais perto de Deus ou as afastam d’Ele justamente quando mais precisam de Seu cuidado?
Em meio a tantas vozes de julgamento, muitos precisam menos de críticas e mais de alguém que lhes ofereça direção, consolo e os conduza novamente à esperança. Que, assim como Eliú, sejamos agentes do Reino de Deus e façamos de nossa amizade um instrumento de graça, capaz de apontar sempre para a grandeza, a soberania e o cuidado do Senhor.
O maior presente que podemos oferecer a alguém não é uma resposta para todas as suas perguntas, mas uma amizade que o ajude a enxergar Deus quando a dor parece esconder Sua presença.
Prov. 17:17
“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia nasce o irmão.”
Carmem C. R. Cassoni
Esposa, Mãe, Prof.a do Prospere , Fé e Finanças e
Colunista do Blog IBF