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QUAL É A VERDADE SOBRE AS NOSSAS MEMÓRIAS?

19 de October, 2026 • Angélica de Souza Pereira
QUAL É A VERDADE SOBRE AS NOSSAS MEMÓRIAS?

Qual é a Verdade Sobre as Nossas Memórias?

Queridos leitores e estudantes,

Há algum tempo venho pensando sobre um tema fascinante e profundamente humano: o quanto podemos confiar nas nossas próprias lembranças? Numa conversa recente com o meu querido Sérgio, ele me sugeriu revisitar um filme que gostamos muito  e pelo qual ele é apaixonado: Blade Runner.

Na história, existem androides chamados “replicantes”. Eles sentem e agem como nós porque receberam memórias de infância implantadas em suas mentes, acreditando com todo o coração que viveram cada um daqueles momentos. O drama se torna comovente quando o detetive se apaixona por Rachael, uma replicante que não sabe de sua condição e guarda com carinho retratos de um passado que nunca existiu de fato.

Isso nos leva a uma reflexão muito próxima de todos nós: afinal, o que a psicanálise tem a nos dizer sobre isso?

A grande verdade é que a nossa memória não é uma gravação perfeita guardada numa gaveta. Ela é viva, maleável e profundamente afetada pelas nossas emoções. Nós não apenas lembramos; nós recriamos o que passou

Na prática da alma humana, isso acontece por caminhos muito delicados:

O peso do sentimento vale mais que os fatos frios: Nem sempre o que nos marcou aconteceu exatamente do jeito que contamos. Para o nosso coração, a realidade da dor ou do afeto é o que realmente importa. Se quando pequenos nos sentimos sós ou assustados, aquela angústia foi inteiramente verdadeira para nós, mesmo que a realidade ao redor fosse outra.

Cenas que guardamos para proteger o coração: Muitas vezes nos pegamos lembrando com detalhes de um momento simples e corriqueiro da infância, enquanto apagamos outros períodos inteiros. A nossa mente faz escolhas amorosas de autopreservação: ela destaca uma recordação suave para nos poupar de dores e conflitos que ainda não tínhamos força para encarar.

O olhar do presente que cura o passado: O tempo não para dentro de nós. Uma vivência ganha outro significado à medida que amadurecemos. Eu mesma compartilho isso com vocês com o coração aberto: mesmo depois dos 50 anos de idade, e até os dias de hoje, tenho me deparado com lembranças difíceis que agora consigo revisitar, compreender e ressignificar com novos olhos, encontrando paz onde antes havia apenas dor.

Assim como os personagens do filme, todos nós carregamos marcas e histórias contadas por nossos medos, anseios e necessidades de amor.

A beleza do caminho analítico não está em ser um tribunal em busca de provas concretas, mas em ter a coragem de olhar com ternura para a nossa história, entender por que sentimos o que sentimos e descobrir que nunca é tarde para dar um novo sentido à nossa própria vida.

 

Colunista: Elaine Martins Ceotto

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