QUANDO A ALMA ENCONTRA A FONTE
QUANDO A ALMA ENCONTRA A FONTE
Até quando, Senhor, te esquecerás de mim? Será para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?
Até quando estarei relutando em minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando o meu inimigo se exaltará sobre mim? Salmos 13:1,2
Estimado leitor, existem momentos em que as palavras do salmista traduzem exatamente aquilo que a nossa própria alma já não consegue expressar.
Há circunstâncias que não podemos mudar e situações que fogem completamente ao nosso controle. Mas há algo que continua em nossas mãos: a maneira como escolhemos reagir e nos posicionar diante daquilo que estamos vivendo.
Davi começa o Salmo 13 falando de tristeza, angústia, medo e sensação de abandono. Ele não esconde o que sente. Ele dá voz à sua dor diante de Deus.
Essa forma tão sincera de expressar aquilo que sente também nos ensina algo importante sobre a nossa vida emocional.
A psicanálise nos mostra a importância de reconhecer aquilo que acontece dentro de nós. Quando sentimentos permanecem silenciados por muito tempo, a alma procura outras formas de expressá-los. Por isso, reconhecer a dor não é falta de fé. Há momentos em que precisamos falar, ser ouvidos, acolhidos e cuidados.
Mas há algo ainda mais profundo nesse Salmo: a dor permanece presente, mas o coração de Davi já não permanece no mesmo lugar.
Ao final do Salmo, ele declara:
“Quanto a mim, confio na tua graça; que o meu coração se alegre na tua salvação. Cantarei ao Senhor, porque ele me tem feito muito bem.” Salmos 13:5-6
Perceba: talvez nada ao redor tivesse mudado naquele momento. Mas alguma coisa havia mudado dentro dele.
É justamente aqui que percebemos o poder da adoração.
Adorar não é negar a realidade, fingir que não dói ou assumir uma postura passiva diante daquilo que estamos vivendo.
Adoração é um posicionamento intencional da alma diante de Deus.
Hebreus 13:15 nos ensina a oferecer continuamente a Deus um sacrifício de louvor. Há dias em que louvar realmente exigirá de nós uma entrega maior, porque o coração está cansado e as respostas ainda não chegaram.
Mesmo assim, adore!
Encha a sua casa com louvor. Entre no seu quarto, feche a porta e beba da Fonte. Não se trata apenas da quantidade de tempo, mas da intensidade, da verdade e da entrega presente nesse momento de intimidade com Ele.
E há algo importante que também precisamos compreender: não entregue o seu deserto a qualquer voz. Procure quem tenha água para lhe oferecer.
Há conversas que aprofundam a angústia, mas existem outras que acolhem, orientam e nos ajudam a atravessar aquilo que sozinhos já não conseguimos suportar. Por isso, permita-se falar, ser ouvido, receber cuidado e caminhar ao lado de pessoas de confiança, maduras e comprometidas com Deus. E, quando sentir que precisa, permita-se também buscar a ajuda de um terapeuta.
E, acima de tudo, permaneça em Deus e faça D’Ele o seu lugar de confiança.
Porque, quando nos voltamos para Ele, nem sempre o cenário muda imediatamente, mas o nosso interior começa a ser fortalecido para atravessá-lo.
Foi assim com Davi. O Salmo começou com um “Até quando?” e terminou com um “Eu confio.”
E a mensagem que desejo deixar ao seu coração hoje é esta: seja forte, corajoso e intencional.
Volte à Fonte. A circunstância pode até permanecer a mesma, mas ela já não precisa governar o seu interior.
Dê voz ao que precisa ser cuidado e permita que o Senhor fortaleça, renove e conduza o seu coração, um dia de cada vez.
Deus te abençoe,
Carmem C. R. Cassoni
Esposa, Mãe, Prof.a do Prospere , Fé e Finanças e
Colunista do Blog IBF