QUEM MUITO QUER,NADA TEM

06 de August, 2026 Angélica de Souza Pereira
QUEM MUITO QUER,NADA TEM

QUEM MUITO QUER, NADA TEM

 

O livro de Ester apresenta uma poderosa lição sobre os perigos da cobiça e da ambição sem limites. A trajetória de Hamã demonstra que o problema não está em possuir riquezas, posição ou reconhecimento, mas em nunca se satisfazer com aquilo que já foi alcançado. O conhecido ditado “Quem muito quer, nada tem” descreve perfeitamente sua história.

Hamã havia alcançado uma posição privilegiada. O rei Assuero o exaltou acima de todos os príncipes do império, concedendo-lhe autoridade, honra e poder Ester 3:1. Todos os servos do rei deveriam se inclinar diante dele, reconhecendo sua posição. Aos olhos humanos, Hamã possuía tudo o que alguém poderia desejar.

Entretanto, a cobiça tem uma característica perigosa, ela nunca se satisfaz. Em vez de valorizar aquilo que possuía, Hamã concentrou sua atenção em uma única coisa que não conseguia obter. Mardoqueu, um judeu que assentava à porta do palácio do rei, recusava-se a se ajoelhar diante dele. Essa atitude foi suficiente para destruir toda a satisfação que Hamã poderia ter com suas conquistas.

A própria Escritura revela sua insatisfação:

“Contudo não me darei por plenamente satisfeito enquanto vir aquele judeu Mardoqueu sentado à porta do palácio real!” Ester 5:13.

Essas palavras mostram que seu problema não era a falta de honra, mas um coração dominado pelo orgulho e pela cobiça.

Essa ambição torna-se ainda mais evidente em Ester 6:6-9. Quando o rei perguntou o que deveria ser feito ao homem que ele desejava honrar, Hamã imediatamente pensou que a homenagem seria para si mesmo. Convencido de que ninguém era mais digno daquela honra, sugeriu que o homem fosse vestido com as vestes reais, montado no cavalo do rei e conduzido pelas ruas da cidade enquanto sua grandeza fosse proclamada.

Embora o texto não afirme que Hamã desejasse o trono, fica evidente que ele cobiçava honras reservadas ao próprio rei. Sua ambição não conhecia limites. O segundo homem mais poderoso do império já não se contentava com sua posição e desejava reconhecimento cada vez maior.

Contudo, Deus reverteu completamente a situação. A honra que Hamã imaginava receber foi concedida justamente a Mardoqueu. O próprio Hamã teve de vestir seu adversário com as vestes reais, colocá-lo sobre o cavalo do rei e anunciar publicamente sua honra Ester 6:10-11. Aquilo que seria seu momento de glória transformou-se em profunda humilhação.

Pouco tempo depois, sua queda tornou-se definitiva. A forca preparada para Mardoqueu foi utilizada para sua própria execução Ester 7:10. Quem desejava destruir o justo acabou destruído. Quem buscava exaltação perdeu tudo o que possuía.

Em contraste, Mardoqueu, que não buscava reconhecimento pessoal, foi exaltado por Deus. Recebeu a posição antes ocupada por Hamã e tornou-se instrumento de bênção para seu povo Ester 8:2; 10:3. A narrativa confirma um princípio presente em toda a Bíblia, Deus humilha os soberbos e exalta os humildes.

A história de Hamã continua atual. Vivemos em uma sociedade que incentiva a busca incessante por mais dinheiro, mais reconhecimento e mais influência. O problema não está em prosperar, mas em permitir que essas conquistas ocupem o lugar que pertence somente a Deus. O contentamento é uma virtude cristã porque reconhece que Deus sabe exatamente do que precisamos.

Hamã perdeu tudo porque nunca aprendeu essa lição. Sua cobiça transformou uma simples frustração em obsessão. Seu orgulho o levou a acreditar que merecia cada vez mais honra. No final, aquele que possuía quase tudo terminou sem absolutamente nada.

Assim, o provérbio “Quem muito quer, nada tem” encontra um poderoso exemplo nas páginas do livro de Ester. Hamã queria mais honra, mais poder e mais reconhecimento. Quis tanto que perdeu a posição, a riqueza, a influência, a família e a própria vida.

A história de Hamã nos deixa uma pergunta simples e profunda. O nosso coração está satisfeito com aquilo que Deus já nos concedeu ou vive sempre desejando aquilo que pertence aos outros?

 

ANDRÉ DAINEZI TONARQUE

Bancário, Teólogo, Professor e Colunista do Blog IBF


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