Reis e Peões

21 de May, 2026 BRUNO GUSTAVO VICENTIN
Reis e Peões

Vivemos em uma sociedade onde muitos lutam para conquistar reconhecimento, posições de destaque, influência e poder. O mundo constantemente nos incentiva a competir. No grande tabuleiro da vida, todos buscam seu lugar ao sol. Procuram se destacar por meio de suas habilidades e, com afinco, lutam para conquistar e ocupar posições de destaque. Alguns buscam status, reconhecimento, prominência, poder, fama e admiração. Outros desejam influência, bens materiais e riquezas. Porém, também existem aqueles que buscam servir da melhor forma, cultivar o amor, a parceria e fazer a diferença ao seu derredor.

A Palavra de Deus nos ensina que o verdadeiro valor do ser humano não está em títulos, riquezas ou status, mas em um coração alinhado com o Reino de Deus.

Algumas pessoas se tornam “Reis”, admiradas, influentes e poderosas. Existem aquelas que são como “Cavalos”, capazes de se virar sozinhas, ocupar pontos estratégicos e sabem sair de situações difíceis. Há também as “Torres”, fortes, firmes e estáveis. Os “Bispos” são assertivos, diretos e confiáveis. As “Damas” são extremamente versáteis, estrategistas e adaptáveis às mais diversas situações. E, por fim, os “Peões”, pequenos, limitados, frágeis e muitas vezes vistos como descartáveis.

A comparação entre as peças de xadrez e a vida humana nos leva a uma profunda reflexão espiritual. No xadrez, cada peça possui uma função, importância e características específicas. Algumas parecem mais valiosas, enquanto outros aparentam ser pequenas e descartáveis. No entanto, ao final de uma partida, todas as peças, Reis, Peões, Torres e demais figuras, retornam para o mesmo lugar, a caixa. Assim também acontece com a humanidade. Independentemente da posição ocupada nesta vida, todos somos passageiros diante da eternidade.

“Que vantagem tem o ser humano em todo o seu trabalho, em que tanto se dedica debaixo do sol?” Ec 1:3

O livro de Eclesiastes não possui autoria explicitamente definida, embora a tradição atribua sua escrita ao rei Salomão, homem rico, sábio, poderoso e influente, que acumulou fama, conquistas e bens materiais. Contudo, ao final de sua vida, percebeu que tudo aquilo que havia construído em sua vida era temporário, passageiro, vaidade e não impediria o fim natural da existência humana. O orgulho humano pode até construir tronos, impérios, riquezas e as mais diversas conquistas e felicidades seculares, mas o tempo inevitavelmente derruba todos eles.

Essa reflexão revela uma verdade inevitável, a vida é passageira e breve. Diante de Deus e da eternidade, somos frágeis e temporários. A própria palavra nos alerta: “Porque tu és pó e ao pó da terra retornarás!” Gn 3:19b

O rei e a rainha podem usar coroas, o bispo, sua assertividade, a torre, sua força, o cavalo, sua agilidade e o peão pode até parecer insignificante. Porém, o que realmente importa não é a posição ocupada nem aquilo que foi construído nesta terra, mas a forma como se vive diante de Deus.

Jesus nos deixa um direcionamento claro ao afirmar:

“Não será assim entre vós. Ao contrário, quem desejar ser importante entre vós será esse o que deva servir aos demais.” Mt 20:26pó

No reino de Deus não há espaço para egos inflados. A lógica humana é reduzida ao pó diante da eternidade. Enquanto o mundo valoriza títulos e status, Deus observa e esquadrinha corações, a humildade e a fidelidade. Muitos homens e mulheres que tiveram seus nomes gravados na história da humanidade, considerados grandes, prodígios e notórios por suas conquistas terrenas, podem ser pequenos diante do céu. Da mesma forma, muitos esquecidos pela história ou apenas mencionados como notas de rodapé em um livro são profundamente honrados por Deus.

Um exemplo marcante disso são os homens e mulheres que mantiveram sua resiliência, fé e amor por Cristo, mesmo sendo devorados e dilacerados no Coliseu Romano por leões. Seus nomes não ficaram registrados nos livros da história, mas suas vidas deixaram um legado de coragem, fidelidade, postura e inspiração de vida que atravessou gerações.

No fim do jogo, riquezas, cargos, conquistas e reconhecimentos perdem o valor. O que permanece é aquilo que foi construído espiritualmente, sua fé, amor, obediência, serviço e inspiração para as pessoas. As maiores marca que alguém pode deixar não são aquelas materiais, mas aquelas que inspiram e impulsionam novas gerações a permanecerem firmes em Deus.

Independente de sermos Rei, Peão ou qualquer outra peça nesse grande tabuleiro da vida, somente um coração alinhado com Deus pode produzir algo eterno. Quando vivemos com esse propósito, deixamos de construir castelos que se transformam em pó e passamos a construir testemunhos que atravessam o tempo.

Ao término da partida da vida, não seremos lembrados apenas pelas posições que ocupamos, pelos títulos que conquistamos ou pelos bens que acumulamos. O verdadeiro valor da nossa existência será medido pela maneira e propósitos que vivemos, como amamos, servimos e permanecemos fiéis a Deus.

O Rei e o Peão retornam para a mesma caixa, porque diante da eternidade todos somos iguais. O que diferencia cada vida não é o tamanho do reconhecimento terreno, mas a profundidade do relacionamento com Deus e o impacto espiritual deixado no coração das pessoas.

Reflexão Final:

- Como estamos vivendo enquanto o jogo ainda continua?

- Temos usado nossas posições para servir ou para dominar?

- Nossos valores estão depositados em títulos ou em nossa identidade em Cristo?

- Se hoje fosse fim de jogo, o que realmente permaneceria?

“Não acumuleis para vós outros tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões arrobam para roubar.

Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem podem destruir, e onde os ladrões não arrobam e roubam.

Porque, onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração” Mt 6:19-21

O Senhor não está procurando pessoas famosas, poderosas ou admiradas pelo mundo. Ele procura corações sinceros, humildes e dispostos a servi-lo.

Mais importante do que ser Rei ou Peão é viver de forma que, ao final da jornada, possamos ouvir do Senhor:

“Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel!’” Mt 25:21a

 

 

ANDRÉ DAINEZI TONARQUE

Bancário, Teólogo, Professor e Colunista do Blog IBF

 


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